Playlist – 5 Músicas para Refletir no Metrô

O metrô é um lugar onde milhares de pessoas desconhecidas dividem um espaço mínimo e compartilham muitos sentidos, principalmente olfato, tato e audição. Às vezes encontramos amigos, às vezes só pessoas conhecidas (que tentamos evitar, em vão). Também há aqueles que não conhecemos, mas encontramos e reconhecemos todo dia na mesma hora e vagão.

Encontrando gente ou não, na maioria das vezes, estou sozinho no metrô. Seja para ir trabalhar, sair com os amigos, ir pra faculdade, etc. Alguns caminhos são rápidos, outros levam horas.

Enrolações à parte, são justamente nessas horas que podemos refletir sobre a vida, o universo e tudo mais. Pensar na sociedade, nos estereótipos, preconceitos e nas atitudes repugnantes, amáveis ou solidárias do ser humano.

Algumas músicas parecem ter sido feitas exatamente para se escutar nesses momentos, e é por isso que montei uma playlist com 5 músicas que me fazem refletir quando estou esmagado no enlatado urbano. Não há ordem de preferência, just listen ;)

E pra você, quais músicas entrariam na playlist? Deixe sua sugestão nos comentários!

Radiohead – Let Down

Transportes, motovias e trólebus
Andando e então parando
Decolando e aterrissando
A mais vazia sensação
Pessoas desapontadas apegando-se a frascos
E quando chega é tão decepcionante

Eddie Vedder – Society

Quando você quer mais do que tem
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior
Pois quando você tem mais do que imagina,
Você precisa de mais espaço

Cícero – Eu Não Tenho Um Barco, Disse A Árvore

Não tem jeito não
A gente sempre espera piorar
A gente sempre deixa de cuidar
Do que já tem na mão
Mas é sem querer

Sem querer

Raul Seixas – Ouro de Tolo

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado…

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto “e daí?”
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado…

Criolo – Não Existe Amor em SP

Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu

Bônus: System of a Down – Lonely Day

Um dia tão solitário!
E é meu
É um dia do qual estou feliz por ter sobrevivido

(http://www.youtube.com/watch?v=DnGdoEa1tPg)

Violinos e Guitarras

Tempos que não posto aqui. Peço perdão àqueles que curtiam meus textos. Não perdi o tesão, mas foram se acumulando situações que sempre me deixaram meio afastado de “ouvir música + escrever sobre”. Mas agora a vontade voltou forte.

Poucas coisas na vida me emocionaram tanto quanto ouvir Kashmir na Sala São Paulo, durante o projeto Rock Sinfônico, interpretado pela Banda Sinfônica de São Paulo e a banda Dr. Sin. A emoção foi incrível. Kashmir é uma música FEITA pra se ouvir com orquestra, com violinos, contrabaixos, numa acústica fodida, com você sentado anestesiado pelo som.

Emoção parecida senti quando caminhava pela Fnac da Paulista e o DVD que estava tocando me chamou a atenção. Primeiro pela aparência: Um loiro, cabeludo (pessoas mais intimas sabem meu difícil relacionamento com loirões cabeludos) tocando violino feito um jabuti tomando choque. Passada essa primeira impressão, fui ouvir direito o que o cara estava  a tocar naquele violino modernoso dele.

Kashmir.

O filho da puta tava tocando Kashmir, num show, pra trocentas pessoas. Com uma orquestra atrás. E bem pra caralho.

Imagem

(e não é que o fdp é bonitão?)

Na hora fui atrás do DVD pra ver o que era. Não deu outra. Várias faixas de Rock misturadas com música clássica. Algumas bem clichês, mas todas bem escolhidas. Sô não levei pra casa porque né, Fnac cobra mais que puta de luxo depois da meia noite de domingo de dia das mães.

Em casa, depois do disco adquirido na loja mais famosa das internets e com a mais rápida entrega possível, comecei a ouvir o álbum “Rock Symphonies”.

O cara manda muito bem. Muita gente concorda que rock e música clássica combinam, mas sempre é rock tocado com instrumentos clássicos, ou algo parecido. O que David Garrett faz é diferente. Ele consegue mesclar músicas dos dois estilos, deixando ambas fodidas de gostosas de ouvir. Curioso perceber como o violino e a guitarra se completam. Se entendem. Como dois amigos que falam línguas diferentes, mas quando juntos se entendem apenas pelo olhar.

Uma de minhas favoritas do álbum é “The 5th”, onde ele transforma a batida (mas deliciosa) Quinta Sinfonia de Beethoven em um rock pesado, porque a própria sinfonia já é pesadíssima. O resultado é uma música que poderia abrir qualquer batalha épica em um filme sobre tempos antigos, como serve pra você andar pela rua e se sentir fodão (só não vale fingir que a tia do lado é um goblin e acertar um chute nela).

Não deixe de ouvir David Garrett se você curte rock. Não deixe de ouvir David Garrett se você curte música clássica. Não deixe de ouvir, basicamente.

PS: E sim, a versão dele de Kashmir é foda pra caralho. Pra caralho.

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Álbum do dia: David Garret - Rock Symphonies (2010)

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Consoladores do Metrô Solitário

Antes de mais nada, peço que esqueçam a “Seven Nation Army”, o termo “É só mais uma banda do Jack White…”, e até a “Steady As She Goes”.

E acho preciso reforçar que esta não é só mais uma banda do Jack White. Há, sim, um grupo talentoso o suficiente para juntar forças com o ex-líder do White Stripes. Os primeiros que apresento são Patrick Keeler, tocando bateria e percussão, e Jack Lawrence, no baixo, ambos vindos da banda The Greenhornes, na qual são compositores da maioria das músicas. O sr. White dispensa apresentações, já que até Jimmy Page o chamou de “herói da nova geração do Rock ‘n’ Roll”. Por último, porém não menos importante, Brendan Benson, tocando sua guitarra e teclados, que passou boa parte da vida em carreira solo, na qual é bem elogiada por críticos.

O 2º trabalho da banda The Raconteurs teve um resultado muito acima comparado ao anterior, o Broken Boy Soldiers, com uma baita sonoridade, mesclando o experimental com algo concreto, demonstrando que sabiam exatamente o que estavam fazendo. O experimental que mencionei é pelo fato de usarem diversos instrumentos e casá-los de forma mais harmônica e empolgante possível. Um exemplo é o uso do Clavinete, um teclado com sintetizadores diversos, que foi usada em faixas como “Old Enough”. Seu som foi muito significante em “Salute Your Solution”, acompanhando os links da 1º guitarra e ganhando até um espaço para um solo logo após o 1º refrão.  Este instrumento ficou mais popular depois que Stevie Wonder e Bob Marley compuseram grandes músicas em cima de bases feitas com o Clavinete. É bom mencionar que Dean Fertita, do Queens of the Stone Age, gravou com este instrumento. O som mais bizarro ficou por conta do Stylophone, que sinceramente não entendo como é e o que é. Apenas sei que é um mini-teclado com um sintetizador agudo demais e que é tocado por aquelas canetas de eletrônicos touchscreen. Ele aparece nas faixas “Attention”, “Five on the Five” e “Rich Kids Blues”. O que deu uma cara muito legal foi o uso dos instrumentos de sopro, que caracterizam as faixas “Many Shades of Black” e “The Switch and the Spur”.

A ideia do novo álbum surgiu durante um intervalo entre shows da banda, quando Brendan puxava um riff qualquer e Jack o completava. Foi assim, meio ‘sem querer’, que nascia a música homônima ao título do disco, Consolers of the Lonely. A letra desta soou como uma conversa entre os dois compositores, quase explicando o porquê de formarem a banda.

Em boa parte das músicas está presente algo que o Jack White mais curte, desde os tempos de White Stripes, o tal namoro da bateria com as guitarras. Ambas parecem querer imitar uma à outra. Em “Hold Up”, “Consoler of the Lonely”, “Salute Your Solution”, entre outras, está nítida esse ‘caso’ que tanto ama.

The Raconteurs também demonstrou algumas de suas principais referências, por exemplo, em “Top Yourself” é indiscutível a influência blueseira nos riffs e no caminho feito na bateria. Esta música me lembrou a cena inicial do documentário It Might Get Loud (A Todo Volume), no qual Jack aparece fazendo uma guitarra com um pedaço de madeira, captadores a la gambiarreks e apenas duas cordas. Em “Carolina Drama” senti um som meio “The Battle of Evermore”, do Led Zeppelin. A faixa é uma das únicas que foi usada o Bandolim, que é o personagem principal na música do Led.

Consolers of the Lonely é um dos melhores álbuns que já ouvi da década de 2000. Há um som muito estigmatizado que consagrou a banda. A única coisa que o The Raconteurs pecou foi “dar um tempo”.

Vou ali comprar o vinil deles.

Álbum do dia: The Raconteurs –  Consolers of the Lonely (2008)
Músicas favoritas: “Salute Your Solution”, “Consoler of the Lonely”, “Attention”, “Many Shades of Black”, “Hold Up” e “The Swith and the Spur”.

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